Cartão de carimbos digital ou de papel?
O papel custa uns vinte euros a arrancar e não exige decisão nenhuma, e é por isso que quase todos os esquemas de fidelização começam aí. A questão não é se o papel funciona — funciona — mas quanto lhe custa de formas que nunca aparecem numa factura.
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Não há configuração, não há conta, não há mensalidade, e qualquer cliente percebe na hora. Se quer um esquema a funcionar no sábado sem pensar em nada, mande imprimir cartões e compre um carimbo. Nada digital bate esse custo inicial, e fingir o contrário é desonesto.
O digital ganha a partir do terceiro mês
Ao terceiro mês as falhas do papel acumulam-se — cartões perdidos, segundas vias, empregados generosos e carimbos falsificados empurram a taxa real de prémios muito acima da que desenhou. Uma contagem digital mantém a taxa que escolheu sem ninguém ter de fiscalizar nada.
Quem decide é o cliente, não você
O papel só funciona se o cartão estiver com o cliente no momento da compra. Para visitas semanais a um sítio por onde passa, isso muitas vezes chega. Para intervalos de semanas, ou para quem deixou de trazer carteira, o cartão simplesmente não está lá e o esquema não faz nada.
Quanto custa mesmo o papel
O custo de um cartão de papel não é a impressão. É a diferença entre o esquema que desenhou e o esquema que está realmente a correr.
Desenhou um cartão de dez carimbos. Na prática:
- Um cliente perde o cartão com seis carimbos e você começa outro, generosamente com três. O cartão passou a ser, efectivamente, de sete.
- Um empregado fica na dúvida e arredonda para cima, duas vezes por semana, durante um ano.
- Alguém percebe que um carimbo de borracha custa quase nada.
Nada disto aparece em lado nenhum que possa ver. Não há relatório, não há número, e não há um momento em que alguém decida dar mais. O esquema simplesmente deriva, e o único sinal é que parece estar a oferecer mais cafés do que as contas diziam.
Onde o digital não ajuda
Vale a pena ser claro. O digital não torna um mau prémio bom, não resolve um espaço a que ninguém quer voltar, e acrescenta um custo mensal que o papel não tem. Se os seus clientes aparecem duas vezes por ano, nenhum cartão de carimbos muda isso, e não deve pagar por um.
Também acrescenta uma dependência que o papel não tem: um ecrã. Se não tem onde pôr um perto do balcão, isso é um obstáculo real e não um pormenor — embora, na prática, quase toda a gente já tenha um telemóvel, tablet ou monitor que serve.
O teste prático
Faça uma pergunta: no momento em que o cliente paga, o cartão está com ele?
- Visitas diárias ou semanais a um sítio no percurso dele, e traz carteira → o papel serve perfeitamente.
- Intervalos de semanas, ou clientes que pagam com o telemóvel → o cartão está em casa, e um esquema que ninguém consegue usar vale menos do que um que se paga.
Como é uma transição
A maioria mantém os dois durante um mês. Os cartões de papel são aceites até estarem cheios; os clientes novos começam no digital. Onde um habitual já vai a meio de um cartão de papel, pode atribuir esses carimbos manualmente pelo painel, para que ninguém perca progresso nem tenha de ouvir falar de políticas.
As perguntas que toda a gente faz
O cartão de papel é mesmo mais barato?
Por mês, é. Por prémio entregue, normalmente não. As fugas do papel — segundas vias, carimbos falsificados, arredondamentos por simpatia — costumam transformar um cartão de dez numa realidade de seis ou sete, ou seja, está a dar 40% mais do que orçamentou sem nunca ver esse número.
Os clientes preferem algum dos dois?
Os clientes preferem sobretudo aquele que está à frente deles na caixa. A diferença relevante é que o telemóvel anda sempre com eles e o cartão de papel normalmente não, portanto a versão digital é usada em visitas em que a de papel teria ficado em casa.
Posso ter os dois ao mesmo tempo?
Pode, durante uma transição, e muitos negócios fazem-no por um mês ou dois — aceitam os cartões de papel até estarem cheios enquanto os clientes novos começam no digital. Manter os dois para sempre não compensa, porque acaba com duas regras e duas formas de se enganar.
O que faço aos cartões de papel que já andam por aí?
Continue a aceitá-los até acabarem. Também pode atribuir carimbos manualmente pelo painel, portanto um cliente habitual com sete carimbos no papel pode passar para o digital sem perder nada e sem que tenha de explicar uma política ao balcão.
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